VOLTA REDONDA - Doze candidatos a prefeito de Volta Redonda participaram na noite desta quarta-feira de um debate promovido pela TV Bandeirantes, interior RJ. Os postulantes à prefeitura do único município da região que tem segundo turno puderam fazer perguntas um para o outro e falaram, na apresentação, o motivo pelo qual os eleitores devem votar neles, respeitando o tempo definido pela emissora, na eleição municipal. Tudo por ordem de sorteio. As regras de segurança por conta da pandemia foram respeitadas pela emissora.
Participaram do debate o ex-prefeito Antônio Francisco Neto, o Professor Habibe (PCdoB), o prefeito Samuca Silva (PSC), que disputa à reeleição, Washington Granato (Solidariedade), Cida Diogo (PT), Alex Martins (PSB), Juliana Carvalho (PSOL), Evandro Glória (Cidadania), Benevenuto dos Santos (Avante), Paulo Baltazar (PSD), Dayse Penna (Pros) e Hermiton Moura (Republicanos). Não puderam participar os candidatos Monica Teixeira (PSTU) e Luiz Eugênio (PCO). Cerezo que é uma candidatura independente, ou seja, sem partido, também não.
Perguntas e respostas
O tema Saúde foi um dos centrais e começou, no segundo bloco, entre Samuca que escolheu Samuca para fazer a pergunta. O prefeito indagou a Baltazar, que é médico, como ele enfrentaria a pandemia de Covid-19. Em sua resposta, Baltazar afirmou que o número de testes realizados foi pequeno e criticou a implantação do Hospital de Campanha que, segundo ele, quase não foi usado.
Em sua réplica, Samuca disse manteria a forma como faz combate à Covid-19 e lembrou que, no início da pandemia, Volta Redonda estava entre as cidades do Estado do Rio com o maior número de casos, “mas que conseguiu controlar o vírus, apesar de tudo”. Samuca aproveitou para lamentar os óbitos que ocorreram no município e falou que atualmente existem 6% dos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) ocupados .
Já Baltazar questionou Samuca sobre a gestão defendida por ele em 2016, que, na opinião dele, não funcionou. O prefeito disse que fez Volta Redonda crescer com sua receita, sem cobrar impostos, mas não contava com a dívida existente no início de mandato. Samuca falou da dívida da prefeitura e afirmou “ter arrumado a casa e ter muito ainda a fazer”.
Neto escolheu Hermiton para fazer a pergunta e questionou como ele espera pegar a prefeitura, caso seja eleito. O candidato do Republicanos falou que precisa reformular toda a prefeitura, revisar processos e lutar por mais empregos. Neto disse que a prefeitura está em estado precário, sem pagar fornecedores, com salários atrasados, e aproveitou para falar que a cidade precisará de uma pessoa com experiência para a administração municipal.
Hermiton, na sua vez, indagou Samuca sobre as OS’s que passaram a administrar os hospitais da rede pública, e falou das operações feitas na Saúde do Estado do Rio, após denúncias de corrupção. Samuca rebateu, afirmando que o primeiro indício de corrupção em Volta Redonda foi denunciado por ele, fazendo referência ao caso do vereador Paulinho do Raio X, que teve o mandato cassado. Segundo o prefeito, a implantação das OSs foi necessária por causa dos funcionários contratados por meio de RPA,s que, segundo ele, eram mais de quatro mil e tiveram os contratos rescindidos.
Propostas para a Educação
Juliana Carvalho indagou sobre a Educação e, ao ser questionada por Cida Diogo, citou a falta de plano de cargos e salários, que desvaloriza os professores. Ela ainda falou sobre a falta de concurso público e o excesso de terceirizados na prefeitura.
Outra pergunta sobre Educação foi feita por Hermiton para Granato, que afirmou ter um plano de governo participativo, afirmando saber que a crise atingirá em cheio o município, mas que “investimentos na Educação precisam ser feitos. Hermiton disse, na tréplica, que e implantará a Educação em tempo integral, com contraturno sempre atividades de cultura, esporte e lazer.
Economia
Professor Habibe abordou o tema desenvolvimento econômico e questionou a candidata Dayse Penna sobre o desequilíbrio entre o que foi arrecadado e os gastos da prefeitura sem investimentos relevantes. Ele frisou que é necessário ter ponto de equilíbrio entre custeio e o que é arrecadado. Dayse falou que a cidade precisa de uma reparação.
Benevenuto questionou quais são as propostas de Professor Habibe para geração de emprego. O candidato do PCdoB disse que o Volta Redonda precisa construir um novo modelo de sustentação e geração de emprego e não dá para ficar atrelado a uma grande indústria apenas. Benevenuto complementou dizendo que as universidades podem ajudar na geração de empregos para trabalhar com inovação, citando ainda o agronegócio voltado para turismo.
Segurança Pública
Outro tema falado pelos candidatos foi a Segurança Púbica em uma pergunta que Neto fez para Alex Martins. Ele disse que a área é uma agenda sim do município, mas não pode ser um modelo de política pública de repressão. Na opinião dele, deve haver uma segurança de inteligência, com propostas que incluem até a evasão escolar, como prevenção.
Apresentação
Durante a apresentação do debate, cada um falou sobre o motivo que o eleitor deve votar neles durante um minuto. A ordem para a apresentação foi feita por sorteio e o primeiro a falar foi Hermiton. Além de falar sobre suas carreiras e curriculum, eles falaram, resumidamente, de suas ideias. Veja a seguir, resumidamente, a apresentação de cada um.
Herminton:
“Mereço o seu voto, pois tenho qualificação técnica, atuo em política desde 2015 e sou fundador do movimento “Vem para a Direita”, que ajudou o PT do poder. Sou fundador do Observatório Social, trouxe o Bolsonaro (presidente Jair Bolsonaro) ao município e lutei pela abertura do comércio durante a pandemia. Sou conservador, luto pela família. No meu governo nenhum cidadão ficará para trás”.
Habibe:
“Sou professor e engenheiro mecânico, trabalhei na CSN e no campo de Educação foi professor em universidades. Quero discutir propostas e analisar possibilidades para construir uma cidade melhor”.
Samuca:
“Decidi vir candidato à reeleição para continuar controlando o vírus, enfrentei diversas crises, como a pior chuva que o município enfrentou. Se você acha que eu não fiz nada, acesse o site ‘Samuca não fez nada” e veja o que está lá”.
Granato:
“Vim para colocar ordem na casa. E, você de casa, estamos aqui para projetar uma Volta Redonda mais justa, mais equilibrada. Estou preparado para ser candidato, a mudança é agora”.
Cida:
“Estou hoje ao lado da Nena, que é do Partido Verde, e vai me ajudar quando chegarmos à prefeitura a recuperar a Saúde. Quando fui secretária de Saúde, consegui recuperar a área. A Educação e geração de emprego também merecem atenção”.
Alex Martins:
“Filho de operário aposentado da CSN, sou advogado e tiver a oportunidade, por três vezes, de presidir a OAB de Volta Redonda. Em 2014, fiz o projeto “OAB-Cidadã” e percorri a cidade e conheço a realidade. Não faço parte desse grupo político, embora respeite todos eles”.
Juliana Carvalho:
“Meus sentimentos aqueles e aquelas que perderam seus entes queridos nesse momento de desigualdade. Nossa democracia é frágil e nossa sociedade ainda é racista. O que veremos essa noite é um museu de grande novidades. Nós do lado de cá, já percebemos que não dá mais para fazer política sem nós. É hora de mostrar na urna”.
Evandro Glória:
“Sou ficha limpa, contrário a toda essa velha política implantada em Volta Redonda. Lamentavelmente o povo, na rua, tem reclamado desses antecessores do governo atual. Estamos aqui para debater uma política limpa, que traga de fato resultados para a população, que está sofrendo”.
Benevenuto Santos:
“Quero colocar um questionamento: Que prefeito você quer para Volta Redonda? Você quer um prefeito com autonomia, para organizar e preparar a cidade para um amplo programa de geração de empregos organizado pela prefeitura. Universalizar o saneamento”.
Neto:
” Gostaria de dizer que cabe à população achar que eu deva voltar a ser prefeito de Volta Redonda, ou não. Já fui prefeito durante quatro mandatos e, juntamente com a população de Volta Redonda, realizei mais de dez mil obras. Espero poder mais um vez contar com o voto de vocês”.
Baltazar:
“Fui prefeito de Volta Redonda na maior crise: a privatização da CSN que demitiu mais de 12 mil pessoas. A estrutura da cidade estava desabada, recuperamos a cidade de Volta Redonda. Agora, com a nova crise, vou reconstruir de novo Volta Redonda. Sei fazer, já fiz e quero fazer de novo”.
Dayse Penna
“Sou uma voz que se levanta contra todos esses políticos que têm demonstrado falta de integridade: falar, pensar e agir da mesma fora. Sou uma ativista política, e me sinto preparada para administrar Volta Redonda”.
Via: Diário do Vale

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